Des”Humanos”

Des”Humanos”

Por muito tempo eu relutei em escrever sobre temas como o que segue, talvez por receio de considerar um modismo, por não ter saco de tanto ouvir tanta coisa de tanta gente a respeito do assunto. A questão é que tem acontecido tanta coisa que o calar já está incomodando e me fazendo sentir um tanto conivente com isso, ou até, sentindo a necessidade de traduzir a temática em palavras.

Assim que vejo uma notícia ou alguém falando algo como sobre o juiz que dá uma sentença idiota, ou o pai que espanca a filha por ela ter contado que mantém relação sexual com um rapaz há certo tempo, ou os políticos que roubam claramente, flagrados por gravações e, em sua “pureza” tenebrosa, negam, dizendo-se inocentes e acusando todos os contrários de mentirosos, todo esse desperdício de tempo e essa transformação ou loucura que transborda a realidade não me deixam mais calar sobre…

Pensar em humano hoje é algo muito peculiar, pois existe uma diferença, ou melhor, uma diversidade imensa, seja ela de opinião, gênero, cultura ou de qualquer coisa. A diversidade existe, somos seres intimamente flexíveis, nossos músculos, articulações, o corpo do animal humano demonstra, a cada pesquisa ou descoberta, sua capacidade de regeneração e transformação, que vem corroborar nossa característica intrínseca de diversidade do que quer que seja.

O que vemos atualmente é a imposição da intolerância com a diversidade e com a diversidade ao respeito. Isso mesmo, ao respeito, que pode ser expresso de “n” maneiras sendo praticamente atemporal em sua essência.

Nós não somos flexíveis como seres humanos. Não estamos sendo flexíveis em relação ao respeito ao outro e àquilo que não conhecemos ou não sabemos o que é, passamos a ser inflexíveis à inteligência e à ignorância, deixamos de nos esforçar para o que quer que seja do outro. Nós, como espécie provida de sapiência, não estamos sendo seres humanos, estamos apenas reagindo como desumanos.

Desumanos, na íntegra da palavra, por não ter nada de humano nas relações e interações da dinâmica social, com o próximo e com nós mesmos. Se a gente parar para pensar, tanta coisa que a gente faz hoje, fruto da relação com a sociedade, da criação familiar, da posição social, mas, principalmente, das nossas escolhas, o que a gente se mutila e se faz mal só mostra o quanto não estamos respeitando a nós mesmos.

Então, independente da motivação, do caos ou da consequência que seja, de novo, que venha a ser de um juiz, político ou policial fazendo algo estapafúrdio, pessoas ou figuras que deveriam nos proteger e cuidar do todo como soma das partes ou ter o mínimo de bom senso e não o tem, o reflexo claro é quase que uma cegueira social em relação ao certo e errado, justo e correto.

Isso tudo mostra nossa inflexibilidade ao respeito, pois sim, o respeito tem gênero, o respeito tem cultura, tem nacionalidade, tem o que você quiser, o respeito engloba tudo, só que a gente não respeita nada…é medo, fuga, intolerância, falta de consciência, de inteligência emocional, que se resume à falta de respeito.

Acredito que a falta de flexibilidade ao respeito vem da incompreensão, onde o “in” é dentro, mostrando-nos que não compreendemos a nós mesmos. Logo, as consequências de nossas escolhas não podem ser muito diferentes do que temos visto.

Olhemos para dentro, pois o fato de não nos compreendermos, nos faz inflexíveis ao respeito e nos tornamos assim desHumanos.

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